PROJETOS

Pesquisas sobre assédio moral organizacional - Os casos HSBC e Itaú. 

O Instituto Defesa da Classe Trabalhadora (Declatra), efetivando seu propósito de atuar nas questões relativas aos direitos dos trabalhadores, tem realizado diversos trabalhos de pesquisa, com o objetivo de ampliar sua contribuição para o conhecimento da realidade laboral no Brasil.

Entre estes trabalhos tiveram grande destaque e repercussão as pesquisas sobre assédio moral organizacional. Os trabalhos tiveram como público-alvo os trabalhadores dos bancos HSBC (atual Bradesco) e Itaú, da cidade de Curitiba.

As pesquisas sobre o assédio moral organizacional e a saúde do trabalhador bancário, contaram com a parceria do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região.

Para a realização de ambas as investigações foram analisadas informações referentes a milhares de trabalhadores que passaram por esses dois bancos nos últimos anos. O Instituto Declatra utilizou como objeto de pesquisa (fonte de dados) as homologações das rescisões de contrato dos trabalhadores, processos trabalhistas ajuizados contra o HSBC e o Itaú, além de outros dados estatísticos de órgãos como o INSS.

Com base nestas estatísticas o Instituto Declatra fez um bem acabado diagnóstico dos problemas de assédio moral organizacional de que foram vítimas esses trabalhadores do HSBC e do Itaú das unidades localizadas na cidade de Curitiba.

Os relatórios com todos os resultados e detalhes destas pesquisas estarão disponíveis em breve para consulta neste espaço.

Assédio Moral Organizacional e o suicídio de trabalhadores do sistema bancário 

 “Em termos de número de óbitos, o Brasil figura entre os dez países que registram os maiores números absolutos de suicídios. Foram 8.639 suicídios oficialmente registrados em 2006, o que representa, em média, 24 mortes por dia. Do total de suicídios, 79,3% foram de homens, o que dá uma razão de 3,8:1 entre homens e mulheres[...] O coeficiente de mortalidade por suicídio fornece o número de suicídios para cada 100.000 habitantes, ao longo de um ano. No Brasil, o coeficiente médio para o triênio 2005-2007 foi de 5,1(8,3 em homens; 2,1 em mulheres). Esse índice pode ser considerado baixo, quando comparado aos de outros países, conforme visualiza-se na figura abaixo. Um coeficiente nacional de mortalidade por suic ídio esconde importantes variações regionais. Em um artigo recente sobre a epidemiologia do suicídio no Brasil (Lovisi et al., 2009), vemos que a Região Sul teve coeficiente médio de 9,9 suicídios para cada 100 mil habitantes, no triênio 2004-2006 (13,2 em homens; 3 em mulheres). (Botega, :11)

No Brasil 24 pessoas morrem por suicídio diariamente. Vários fatores cooperam para que esses índices sejam omitidos da população em geral e, ainda, das estatísticas oficiais. Para além do tabu que envolve o tema, a própria mídia procura não dar ênfase a vinculação dessas notícias, visto que, acredita-se que a veiculação da notícia de suicídios possa incentivar potenciais suicidas.

Oficialmente, pode-se obter resultados desses índices através do “Sistema de Informação de Mortalidade” (SIM), do Ministério da Saúde e também IBGE. Acredita-se que 15,6% dos óbitos não foram registrados devidamente. Vários são os fatores que corroboram para que as estatísticas oficiais não correspondam a realidade. No registro de morte por causas externas 10% de óbitos por esta causa são registrados como: “causas ignoradas”. Acidentes de carro, e outras mortes do tipo “violentas” muitas vezes não são a ssociadas ao suicídio , tendo em vista que a causa morte aparente entra em outras variáveis mais frequentes como causa morte no país. Outro fator relevante da omissão desses dados é que as tentativas de suicídio geralmente são de 3 à 10 vezes maiores que o ato consumado. Todavia, apenas 50% dos casos de tentativa de suicídio (positivando os dados) são tratados em hospitais. Portanto, os dados médico/hospitalares não configuram uma base de indicador de realidade.

Problemas de transtorno mentais tais como depressão, transtorno de humor, transtorno de personalidade aumentam a vulnerabilidade da pessoa ao suicídio. 17% da população já cogitou o suicídio. As taxas de consumação aumentam anualmente, na sua maioria em virtude de questões que prejudicam o bem-estar. Agressão, competição e insensibilidade estão entre fatores prejudiciais a pessoa que contribuem para a ação. Assim como o assédio moral organizacional e seus componentes vem-se integrando à possíveis causas que possibilitem o desenvolvimento de transtorno s mentais que podem via a substanciar o suicídio relacionado diretamente com a atividade laboral.

“A cada 40 segundos uma pessoa se mata no mundo, totalizando quase um milhão de pessoas todos os anos. Estima-se que de 10 a 20 milhões de pessoas tentam o suicídio a cada ano. De cada suicídio, de seis a dez outras pessoas são diretamente impactadas, sofrendo sérias consequências difíceis de serem reparadas. (...) O impulso também é uma reação natural, porém é mais comum nas pessoas que estão exaustas por dentro e emocionalmente fragilizadas diante de situações que despertam possibilidade de suicídio”. (CVV- Sobre o suicídio )

O suicídio é um problema de saúde, embora não se resuma a uma relação de causalidades, ou seja não seve ser simplificado em uma simples associação de causa e consequência, ele pode ter seu gérmen relacionado a relações provenientes da atividade laboral, tais como: o assédio moral organizacional; determinadas relações, negativas, no ambiente de trabalho; demissão ou até mesmo do descontentamento com a atividade exercida. Portanto, se o suicídio estiver ligado a transtornos mentais advindos da atividade laboral, é de suma competência do empregador a responsabilidade para co m o empre gado e consequentemente os demais atingidos. Se a cada 100 pessoas, 17 já cogitaram o suicídio, para cada trabalhador bancário que cometeu suicídio, quantos mais poderão suicidar-se? De que forma o exercício, a organização e o contexto da atividade de bancário colabora para o suicídio? Essa são as questões centrais que buscaremos compreender.

O Instituto Defesa da Classe Trabalhadora em parceria com o Sindicato dos Bancários, iniciou este ano(2017), uma pesquisa de cunho qualitativo e quantitativo, no intuito de esmiuçar as possibilidades de relações entre o Assédio Moral Organizacional e o suicídio de trabalhadores do sistema bancário. Esse projeto objetiva desenvolver uma análise referente às condições de trabalho e de saúde dos trabalhadores bancários, focando sua análise na temática do suicídio entre esse coletivo de trabalhadores. A partir das dinâmicas sociais locais que compõem o ambiente bancário e do estudo de casos, das trajetórias desses trabalhadores, o método etnográfico nos possibilita problematizar as motivações de determinados ações, como retirar a vida, relacionando-as com fatores que compõem as principais motivações para tal ato, vinculando-as à atividade laboral.

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